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Falhas no motor 1.0 Turbo do Citroën Basalt: o que está acontecendo

Relatos de motor apagando e luz de injeção acesa se somam a três recalls de 2025 ligados ao conjunto turbo. Veja o que é oficial e como consultar seu chassi.

Citroën Basalt Turbo 200 Shine 2025 visto de frente
Citroën Basalt Turbo 200 Shine, ano 2025 — Foto: RL GNZLZ / Wikimedia Commons / CC BY-SA 2.0
Neste artigo
  1. O que a imprensa noticiou sobre o motor do Basalt
  2. Os recalls oficiais que envolvem o Basalt
  3. O que se sabe e o que ainda não se sabe
    1. O que está confirmado
    2. O que não está confirmado
  4. O que o dono do Basalt deve fazer

Até 5 de outubro de 2026, não existe nenhum recall da Stellantis que aponte um defeito interno no motor 1.0 Turbo 200 do Citroën Basalt. O que existe são três campanhas oficiais de 2025 que envolvem peças ligadas ao motor: o alinhamento entre turbina e catalisador, a central eletrônica do motor (ECM) e o corpo do coletor de admissão. Além delas, há relatos de donos sobre luz de injeção acesa, perda de potência e desligamento do motor, publicados em sites de reclamação e repercutidos pela imprensa automotiva. Abaixo, separamos o que é oficial, o que é relato e o que o proprietário deve fazer.

O que a imprensa noticiou sobre o motor do Basalt

As queixas começaram a ganhar espaço em 2025, primeiro ano completo de vendas do SUV cupê. Em 17 de maio de 2025, o portal Autoo publicou um levantamento de reclamações sobre o Basalt em que os problemas de motor (ruídos, vazamento de óleo e travamentos) aparecem ao lado de atraso na entrega e consumo acima do esperado. Na ocasião, a Citroën respondeu aos casos dizendo que era preciso diagnóstico técnico e atribuiu variações de consumo a fatores como estilo de condução e trânsito.

Em 28 de agosto de 2025, a revista da Mobiauto reuniu relatos de donos no Reclame Aqui e em fóruns. O ponto mais grave citado foi o de proprietários que dizem que o motor 1.0 turbo parou de funcionar com o carro em uso. Um dos casos, de Campinas (SP), descreve o carro parando no trânsito, com todas as luzes do painel acesas e soltando fumaça. Segundo a reportagem, essa reclamação ainda não tinha resposta da Stellantis na data da publicação.

Os relatos continuaram em 2026. Uma reclamação registrada no Reclame Aqui em 26 de fevereiro de 2026, por um dono de Basalt 2025 de João Pessoa (PB), descreve luz de injeção acesa com perda de potência, ruídos no motor e desligamentos ocasionais. O caso aparece como resolvido: a Citroën informou que a peça necessária foi entregue à concessionária para instalação.

Relatos individuais não provam um defeito em série. Eles mostram sintomas que se repetem e que merecem diagnóstico na rede, mas só um chamamento oficial (recall) confirma que a fabricante reconheceu um problema em um lote de veículos.

Os recalls oficiais que envolvem o Basalt

A Stellantis convocou o Basalt em três campanhas ao longo de 2025. Nenhuma delas trata de quebra interna do motor, mas todas mexem em componentes do conjunto motor/escapamento/gerenciamento. Os chassis abaixo são os oito últimos dígitos informados nos comunicados, e os intervalos não são sequenciais: estar dentro da faixa não garante que o seu carro foi convocado, e por isso a consulta individual é obrigatória.

Campanha (data do comunicado) Basalt afetado Defeito Risco informado Reparo gratuito
Turbina x catalisador (23/05/2025; atendimento desde 26/05/2025) Ano-modelo 2025, chassis SB510436 a SB549251 Possível desalinhamento entre a turbina e o conversor catalítico Gases não tratados podem chegar ao habitáculo, com risco à saúde dos ocupantes Verificação e, se preciso, alinhamento; cerca de 1 hora
Central do motor – ECM (maio de 2025) Ano-modelo 2025, chassis SB522911 a SB526371 Possível infiltração de água na central eletrônica de gerenciamento do motor Desligamento inesperado do motor com o carro em movimento Troca da central; cerca de 1 hora
Coletor de admissão (22/08/2025; atendimento desde 25/08/2025) Ano-modelo 2025, chassis SB547003 a SB547150 Possível obstrução no corpo do coletor de admissão Emissões fora das normas; a imprensa informou que não há risco à segurança dos ocupantes Troca do corpo do coletor; cerca de 4 horas

A primeira campanha, publicada pela Stellantis no portal de imprensa, também inclui o C3 2025 e o C3 Aircross dos anos-modelo 2023 a 2025, e o comunicado se refere aos veículos “equipados com o motor T3”. A segunda também alcança o C3 2025 e foi noticiada por VRUM e Motorshow. A Stellantis não informou o número de unidades nos comunicados; a InfoMoney noticiou estimativa de mais de 16,3 mil veículos na campanha da turbina e de mais de 1,3 mil na da central eletrônica. A terceira campanha inclui ainda o C3 Aircross 2025 e, segundo a Motorshow, o Peugeot 2008 com o mesmo motor 1.0 turbo. Detalhes da primeira convocação estão também em nossa matéria sobre o recall do C3 Aircross e do Basalt.

O recall da central eletrônica trata justamente de desligamento do motor em movimento, o mesmo sintoma citado em parte das reclamações. Se o seu Basalt 2025 apagou sozinho, consulte o chassi antes de qualquer outra coisa e não adie o agendamento: segundo o chamamento divulgado pela imprensa, o defeito pode causar acidentes graves.

O que se sabe e o que ainda não se sabe

O que está confirmado

  • O motor Turbo 200 do Basalt é produzido em Betim (MG) e usa comando de válvulas MultiAir III e turbocompressor com wastegate elétrica, segundo o release de lançamento da Stellantis de 12 de setembro de 2024.
  • Na linha 2026, apresentada em 3 de setembro de 2025, o Turbo 200 equipa as versões Feel Turbo 200, Shine Turbo 200 e Dark Edition Turbo 200, com até 130 cv e câmbio CVT com sete marchas simuladas; a versão Feel usa o 1.0 Firefly aspirado.
  • As três campanhas listadas acima são oficiais, gratuitas e valem para faixas específicas de chassi do ano-modelo 2025.

O que não está confirmado

  • Não há comunicado da Stellantis ou da Citroën reconhecendo falha estrutural no Turbo 200 (bloco, cabeçote, pistões, turbo em si) do Basalt.
  • Não se sabe se os casos de motor apagando relatados por donos estão todos dentro da faixa do recall da central eletrônica; os relatos públicos não trazem número de chassi.
  • Não há dados públicos sobre a taxa de falhas do motor por unidade vendida. Número de reclamações em sites de consumidor mede insatisfação, não frequência de defeito.

O que o dono do Basalt deve fazer

  1. Consulte o recall pelo chassi ou pela placa. A Senatran oferece a consulta gratuita de recalls registrados na base Renavam pelo app Carteira Digital de Trânsito (Veículos > selecione o carro > Recall) ou pelo Portal de Serviços da Senatran, com login gov.br. A Citroën também atende pelo SAC 0800 011 8088 (segunda a sexta, das 8h às 20h) e pelo site citroen.com.br.
  2. Se houver campanha pendente, agende na rede autorizada. O reparo é gratuito e não depende de o carro já ter apresentado o defeito.
  3. Luz de injeção acesa ou perda de potência: leve o carro a uma concessionária Citroën e peça o registro do atendimento com os códigos de falha lidos. Entenda o que a luz indica em nosso guia sobre o defeito antipoluição. Se a luz piscar ou o motor perder força de forma brusca, reduza a velocidade e evite rodar até o diagnóstico.
  4. Use a garantia de fábrica. Prazo e condições (inclusive as exigências de revisão) estão no manual de garantia entregue com o carro; em caso de dúvida, confirme na concessionária.
  5. Guarde tudo por escrito: ordens de serviço, protocolos do SAC e datas. Se o reparo não for resolvido, esse histórico sustenta uma reclamação no Procon.
Meu Basalt é 2026. Ele está nesses recalls?

Os três comunicados citados se referem ao ano-modelo 2025 do Basalt. Mesmo assim, faça a consulta pelo chassi: novas campanhas podem ser abertas a qualquer momento e aparecem na base da Senatran.

Fiz o recall e o motor continua falhando. O que fazer?

Volte à concessionária, informe que a campanha já foi feita e peça novo diagnóstico com abertura de ordem de serviço. Se o problema persistir sem solução, registre protocolo no SAC da Citroën e, se necessário, recorra ao Procon.

Leia também: Fusíveis do Citroën Basalt e C3 Aircross: onde ficam e tabela completa