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Citroën C4 VTR: história, ficha e dicas do cupê francês no Brasil

Vendido de 2006 a 2009, o cupê importado da França tinha 2.0 de 143 cv e somou cerca de 4 mil unidades. Veja a história e o que checar no usado.

Citroën C4 VTR cupê da primeira geração estacionado
Citroën C4 VTR cupê, ano 2005 — Foto: OSX / Wikimedia Commons / Public domain
Neste artigo
  1. Lançamento e trajetória no Brasil (2006–2009)
  2. Ficha técnica do C4 VTR brasileiro
  3. Design: perfil de cupê, tampa envidraçada e volante de centro fixo
  4. VTR brasileiro x VTS europeu: não são a mesma coisa
  5. Por que o VTR ainda chama atenção
  6. O que observar ao comprar um C4 VTR usado

O Citroën C4 VTR foi a versão cupê de três portas do primeiro C4 vendida oficialmente no Brasil entre 2006 e 2009. Importado da França, chegou em setembro de 2006 com motor 2.0 16V de 143 cv e câmbio manual de cinco marchas, saiu de linha em 2009 e somou cerca de 4 mil unidades vendidas no país, segundo a imprensa da época. Abaixo, a história, a ficha técnica com fonte e o que conferir antes de comprar um hoje.

Lançamento e trajetória no Brasil (2006–2009)

A Citroën apresentou o C4 VTR à imprensa em 11 de setembro de 2006, conforme o teste publicado pelo WM1/Webmotors naquele mês. Ele abriu a família C4 no país; a mesma reportagem informava que as carrocerias de cinco portas e sedã viriam depois, fabricadas na Argentina.

Os preços acompanharam a vida do carro:

  • Setembro de 2006: R$ 69.800 no lançamento (WM1/Webmotors). Em Curitiba, a Gazeta do Povo citou R$ 74,8 mil.
  • Outubro de 2007: R$ 68.270, valor que a Motor Show usou para defender o custo-benefício do carro. A revista informou ainda que a Citroën vendeu mil unidades do VTR entre janeiro e julho daquele ano.
  • Agosto de 2009: preço sugerido de R$ 60.610, com estoque remanescente sendo vendido abaixo de R$ 60 mil, segundo a coluna de Nilton Saciotti no Bem Paraná.

Na mesma coluna de 2009, o jornalista contou o motivo da saída: o C4 havia passado por reestilização no exterior, e o VTR importado ficaria visualmente diferente dos C4 feitos na Argentina. A Citroën então interrompeu a importação depois de quase três anos de vendas, com cerca de 4 mil unidades no total. Anos depois, o nome C4 continuou no país em outros modelos, como o sedã C4 Lounge.

Ficha técnica do C4 VTR brasileiro

Dados do lançamento em 2006. Aceleração, velocidade máxima e consumo não constam das fontes consultadas e ficaram de fora; para um exemplar específico, confira o documento e o manual do veículo.

Item C4 VTR (Brasil, lançamento 2006) Fonte
Carroceria Cupê/hatch de 3 portas, importado da França WM1/Webmotors; Gazeta do Povo
Motor 2.0 16V (EW10A), 4 cilindros, gasolina, variador de fase na admissão e acelerador eletrônico Mecânica Online; WM1/Webmotors
Potência 143 cv a 6.000 rpm WM1/Webmotors; Mecânica Online
Torque 20,4 kgfm a 4.000 rpm (17,3 kgfm já a 2.000 rpm) WM1/Webmotors; Mecânica Online
Câmbio Manual de 5 marchas, diferencial 15% mais curto que o da versão europeia WM1/Webmotors; Mecânica Online
Rodas e pneus Aro 15, pneus Michelin 195/65 WM1/Webmotors
Porta-malas 314 litros WM1/Webmotors
Aerodinâmica Cx 0,28 Mecânica Online

A lista de série era extensa para o segmento em 2006. Segundo o WM1/Webmotors, ela incluía seis airbags, freios a disco nas quatro rodas com ABS, controles de tração e de estabilidade, sensores de chuva e de luz, computador de bordo, sensor de estacionamento e CD com MP3. Em 2007, a Motor Show citou ainda ar digital de duas zonas. Em maio de 2008, a Citroën passou a oferecer nas concessionárias três rodas de liga leve como acessório: uma aro 16 (205/55 R16) e duas aro 17 (205/50 R17), conforme o portal O Mecânico.

Design: perfil de cupê, tampa envidraçada e volante de centro fixo

O desenho foi o principal assunto dos testes. A Gazeta do Povo descreveu a grande tampa traseira com duas seções de vidro, sendo uma delas vertical, e o aerofólio no teto. O mesmo jornal apontou o efeito colateral: o vidro traseiro é pequeno e prejudica a visibilidade. O WM1/Webmotors observou que a traseira dividia opiniões e que havia quem a considerasse o ponto fraco do carro.

Por dentro, as reportagens destacaram o volante com cubo central fixo, em que os comandos não giram junto com o aro, e o painel central translúcido. A Motor Show elogiou o comportamento em curvas, com suspensão firme e pouca rolagem, mas achou que o carro merecia pneus mais largos. O WM1/Webmotors criticou o acabamento, inferior ao do Audi A3, o porta-malas pequeno e a oferta de só três cores no lançamento (preto, prata e vermelho).

VTR brasileiro x VTS europeu: não são a mesma coisa

Na Europa, o C4 cupê foi lançado no fim de 2004 e produzido até 2010, segundo o Citroën Origins, site de acervo histórico da marca. Lá, VTR era um nível de acabamento intermediário. O guia britânico Parkers o associa a motores 1.4 e 1.6 a gasolina e 1.6 HDi a diesel. A versão de topo esportiva era a VTS, que tinha um 2.0 16V a gasolina de 180 bhp ou um 2.0 HDi a diesel de 138 bhp com câmbio de seis marchas, segundo o Parkers.

No Brasil, o nome VTR foi usado para a única versão do cupê vendida aqui, com o 2.0 16V de 143 cv. Portanto, o VTR brasileiro não equivale ao VTR europeu, que usava motores menores, nem ao VTS, que era mais potente. Mesmo com o nome de versão intermediária, foi o C4 cupê mais forte oferecido oficialmente no mercado brasileiro.

Por que o VTR ainda chama atenção

As fontes consultadas não trazem rankings nem números do mercado atual de usados, e este texto não os inventa. O que a imprensa da época registrou ajuda a entender o interesse: carroceria de três portas, importação em volume baixo (cerca de 4 mil unidades, segundo o Bem Paraná), soluções como o volante de centro fixo e um pacote de segurança que a Motor Show considerou acima dos rivais em 2007. Outros modelos da marca estão na seção Carros.

O que observar ao comprar um C4 VTR usado

Recall do chicote da tampa traseira. Em 31 de maio de 2011, a Citroën anunciou um recall de 222 unidades do C4 VTR, anos 2005 a 2007, com chassis de 5Y503006 a 7Y501503. O motivo era uma possível falha no chicote elétrico da tampa traseira: o desgaste do conduíte poderia causar falha em equipamentos elétricos, curto-circuito e até incêndio. Segundo a reportagem, o recall vale por tempo indeterminado. Confira o chassi do carro com uma concessionária Citroën antes de fechar negócio. Mais contexto em Citroën C4 pode pegar fogo?

Além do recall, os testes da época mostram onde focar a vistoria:

  1. Tampa traseira e parte elétrica ligada a ela. Por causa do recall, teste tudo o que depende da tampa, como iluminação e travamento, e procure sinais de curto ou de reparos improvisados no chicote.
  2. Equipamentos eletrônicos. O carro tem sensores de chuva e de luz, ar digital de duas zonas, computador de bordo, sensor de estacionamento e comandos no volante de centro fixo. Teste cada um desses itens antes de negociar o preço.
  3. Segurança ativa e passiva. Confirme que as luzes de ABS, controle de estabilidade e airbag acendem ao ligar o carro e se apagam em seguida. Uma luz que fica acesa indica falha no sistema.
  4. Rodas e pneus. O original é aro 15 (195/65). Se o carro estiver com rodas aro 16 ou 17, veja se as medidas correspondem às dos acessórios oficiais de 2008 (205/55 R16 ou 205/50 R17).
  5. Visibilidade e uso diário. Faça manobras de ré no test-drive; visibilidade traseira e porta-malas de 314 litros foram críticas da imprensa.
  6. Peças da carroceria. Com volume baixo e fim de linha em 2009, consulte antes disponibilidade e preço de vidros, lanternas e peças da tampa traseira, específicos do cupê.
Os preços citados neste texto são históricos, de 2006 a 2009. Para saber o valor atual de um exemplar, consulte a Tabela Fipe do ano-modelo e compare com anúncios da sua região.
O C4 VTR teve câmbio automático no Brasil?

As fontes consultadas, do lançamento em 2006 até a saída de linha em 2009, citam apenas o câmbio manual de cinco marchas. Se aparecer um anúncio de VTR automático, confirme a versão pelo documento e pelo chassi.