Citroën C4 VTR: história, ficha e dicas do cupê francês no Brasil
Vendido de 2006 a 2009, o cupê importado da França tinha 2.0 de 143 cv e somou cerca de 4 mil unidades. Veja a história e o que checar no usado.

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O Citroën C4 VTR foi a versão cupê de três portas do primeiro C4 vendida oficialmente no Brasil entre 2006 e 2009. Importado da França, chegou em setembro de 2006 com motor 2.0 16V de 143 cv e câmbio manual de cinco marchas, saiu de linha em 2009 e somou cerca de 4 mil unidades vendidas no país, segundo a imprensa da época. Abaixo, a história, a ficha técnica com fonte e o que conferir antes de comprar um hoje.
Lançamento e trajetória no Brasil (2006–2009)
A Citroën apresentou o C4 VTR à imprensa em 11 de setembro de 2006, conforme o teste publicado pelo WM1/Webmotors naquele mês. Ele abriu a família C4 no país; a mesma reportagem informava que as carrocerias de cinco portas e sedã viriam depois, fabricadas na Argentina.
Os preços acompanharam a vida do carro:
- Setembro de 2006: R$ 69.800 no lançamento (WM1/Webmotors). Em Curitiba, a Gazeta do Povo citou R$ 74,8 mil.
- Outubro de 2007: R$ 68.270, valor que a Motor Show usou para defender o custo-benefício do carro. A revista informou ainda que a Citroën vendeu mil unidades do VTR entre janeiro e julho daquele ano.
- Agosto de 2009: preço sugerido de R$ 60.610, com estoque remanescente sendo vendido abaixo de R$ 60 mil, segundo a coluna de Nilton Saciotti no Bem Paraná.
Na mesma coluna de 2009, o jornalista contou o motivo da saída: o C4 havia passado por reestilização no exterior, e o VTR importado ficaria visualmente diferente dos C4 feitos na Argentina. A Citroën então interrompeu a importação depois de quase três anos de vendas, com cerca de 4 mil unidades no total. Anos depois, o nome C4 continuou no país em outros modelos, como o sedã C4 Lounge.
Ficha técnica do C4 VTR brasileiro
Dados do lançamento em 2006. Aceleração, velocidade máxima e consumo não constam das fontes consultadas e ficaram de fora; para um exemplar específico, confira o documento e o manual do veículo.
| Item | C4 VTR (Brasil, lançamento 2006) | Fonte |
|---|---|---|
| Carroceria | Cupê/hatch de 3 portas, importado da França | WM1/Webmotors; Gazeta do Povo |
| Motor | 2.0 16V (EW10A), 4 cilindros, gasolina, variador de fase na admissão e acelerador eletrônico | Mecânica Online; WM1/Webmotors |
| Potência | 143 cv a 6.000 rpm | WM1/Webmotors; Mecânica Online |
| Torque | 20,4 kgfm a 4.000 rpm (17,3 kgfm já a 2.000 rpm) | WM1/Webmotors; Mecânica Online |
| Câmbio | Manual de 5 marchas, diferencial 15% mais curto que o da versão europeia | WM1/Webmotors; Mecânica Online |
| Rodas e pneus | Aro 15, pneus Michelin 195/65 | WM1/Webmotors |
| Porta-malas | 314 litros | WM1/Webmotors |
| Aerodinâmica | Cx 0,28 | Mecânica Online |
A lista de série era extensa para o segmento em 2006. Segundo o WM1/Webmotors, ela incluía seis airbags, freios a disco nas quatro rodas com ABS, controles de tração e de estabilidade, sensores de chuva e de luz, computador de bordo, sensor de estacionamento e CD com MP3. Em 2007, a Motor Show citou ainda ar digital de duas zonas. Em maio de 2008, a Citroën passou a oferecer nas concessionárias três rodas de liga leve como acessório: uma aro 16 (205/55 R16) e duas aro 17 (205/50 R17), conforme o portal O Mecânico.
Design: perfil de cupê, tampa envidraçada e volante de centro fixo
O desenho foi o principal assunto dos testes. A Gazeta do Povo descreveu a grande tampa traseira com duas seções de vidro, sendo uma delas vertical, e o aerofólio no teto. O mesmo jornal apontou o efeito colateral: o vidro traseiro é pequeno e prejudica a visibilidade. O WM1/Webmotors observou que a traseira dividia opiniões e que havia quem a considerasse o ponto fraco do carro.
Por dentro, as reportagens destacaram o volante com cubo central fixo, em que os comandos não giram junto com o aro, e o painel central translúcido. A Motor Show elogiou o comportamento em curvas, com suspensão firme e pouca rolagem, mas achou que o carro merecia pneus mais largos. O WM1/Webmotors criticou o acabamento, inferior ao do Audi A3, o porta-malas pequeno e a oferta de só três cores no lançamento (preto, prata e vermelho).
VTR brasileiro x VTS europeu: não são a mesma coisa
Na Europa, o C4 cupê foi lançado no fim de 2004 e produzido até 2010, segundo o Citroën Origins, site de acervo histórico da marca. Lá, VTR era um nível de acabamento intermediário. O guia britânico Parkers o associa a motores 1.4 e 1.6 a gasolina e 1.6 HDi a diesel. A versão de topo esportiva era a VTS, que tinha um 2.0 16V a gasolina de 180 bhp ou um 2.0 HDi a diesel de 138 bhp com câmbio de seis marchas, segundo o Parkers.
No Brasil, o nome VTR foi usado para a única versão do cupê vendida aqui, com o 2.0 16V de 143 cv. Portanto, o VTR brasileiro não equivale ao VTR europeu, que usava motores menores, nem ao VTS, que era mais potente. Mesmo com o nome de versão intermediária, foi o C4 cupê mais forte oferecido oficialmente no mercado brasileiro.
Por que o VTR ainda chama atenção
As fontes consultadas não trazem rankings nem números do mercado atual de usados, e este texto não os inventa. O que a imprensa da época registrou ajuda a entender o interesse: carroceria de três portas, importação em volume baixo (cerca de 4 mil unidades, segundo o Bem Paraná), soluções como o volante de centro fixo e um pacote de segurança que a Motor Show considerou acima dos rivais em 2007. Outros modelos da marca estão na seção Carros.
O que observar ao comprar um C4 VTR usado
Além do recall, os testes da época mostram onde focar a vistoria:
- Tampa traseira e parte elétrica ligada a ela. Por causa do recall, teste tudo o que depende da tampa, como iluminação e travamento, e procure sinais de curto ou de reparos improvisados no chicote.
- Equipamentos eletrônicos. O carro tem sensores de chuva e de luz, ar digital de duas zonas, computador de bordo, sensor de estacionamento e comandos no volante de centro fixo. Teste cada um desses itens antes de negociar o preço.
- Segurança ativa e passiva. Confirme que as luzes de ABS, controle de estabilidade e airbag acendem ao ligar o carro e se apagam em seguida. Uma luz que fica acesa indica falha no sistema.
- Rodas e pneus. O original é aro 15 (195/65). Se o carro estiver com rodas aro 16 ou 17, veja se as medidas correspondem às dos acessórios oficiais de 2008 (205/55 R16 ou 205/50 R17).
- Visibilidade e uso diário. Faça manobras de ré no test-drive; visibilidade traseira e porta-malas de 314 litros foram críticas da imprensa.
- Peças da carroceria. Com volume baixo e fim de linha em 2009, consulte antes disponibilidade e preço de vidros, lanternas e peças da tampa traseira, específicos do cupê.
O C4 VTR teve câmbio automático no Brasil?
As fontes consultadas, do lançamento em 2006 até a saída de linha em 2009, citam apenas o câmbio manual de cinco marchas. Se aparecer um anúncio de VTR automático, confirme a versão pelo documento e pelo chassi.